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Oficina de Criação de Moeda Social

A proposta original dessa oficina sobre Moedas Sociais eu conheci com a Heloisa Primavera em maio de 2004 em Porto Alegre (RS).  Também peguei  uma parte da sistematização do Carlos Henrique de Castro, representante dos Clubes de Trocas Solidárias de SP, compartilhada através de mensagens enviadas para listas do Grupo Nacional de Trocas e Organizando Mercado de Trocas à Distância.  E ainda utilizei como material de Consulta o livro Moeda Social e Democracia: Manual para Compreender e Fazer, editado pela Rede Latinoamericana de Socioeconomia Solidária (REDLASES) – Buenos Aires 2006.

Introdução a Economia Solidária

Sugerimos abrir o espaço conversando um pouco com o grupo se já escutaram a falar da chamada Economia Solidária.

Perguntando quem poderia explicar o que é a Economia? O que significa a palavra solidária?

E compartilhando com o grupo que a definição clássica da palavra Economia tem haver com uma ciência social que estuda os sistemas de produção, comércio e consumo;

E que recebe o complemento de Solidária porque diferente da “Economia Dominante” chamada de “Economia Capitalista”, seu objetivo não está relacionado à concentração de dinheiro na mão de poucas pessoas, seu objetivo principal é produção de bem estar coletivo de oportunidades de trabalho para todos  etc.

E ainda que seja Solidária ela é uma Economia com o diferencial de que essa nova economia estimula formas de produção coletiva e sustentável, estimulando o comércio justo e cobrando um consumo ético favorecendo o consumo de produtos que impactem menos o nosso meio ambiente por exemplo.

Alguns exemplos de Economia Solidária que podemos mencionar são as cooperativas de produção, cooperativas de compras coletivas e também as experiências conhecidas como os clubes de trocas solidárias que utilizam uma ferramenta conhecida como Moeda Social, Moeda Complementar.

E por falar em moeda social. Podemos convidar o grupo a refletir sobre a pergunta: O que é o dinheiro?

Para entender melhor onde quero chegar com essa pergunta, vamos imaginar um exemplo bem real:

Pessoa A = oferece aula de inglês
Pessoa A = demanda aula de música

Pessoa B = oferece aula de música
Pessoa B = demanda serviços de informática

Pessoa C = oferece serviços de informática
Pessoa C = demanda aula de inglês

Reparem que em nenhum desses casos a produção precisa de dinheiro. Mas tampouco é possível realizar trocas diretas.

E o dinheiro surgiu na economia inicialmente para cumprir essa função de viabilizar as trocas indiretas entre distintas pessoas, em distintos momentos e com distintos valores.

Mas o dinheiro que servia inicialmente como unidade de medidas (unidade de contas) e meio de pagamento, “evoluiu” adquiriu valor de reserva e converteu-se em equivalência de riqueza.

E na economia solidária muitas pessoas já começaram a descobrir que na verdade dinheiro não é igual a riqueza e riqueza não é igual a dinheiro.

Isso é um conceito errôneo que aprendemos, já que começamos a nos dar conta de que riqueza são os talentos de uma comunidade em forma de produtos, serviços e saberes.

E que esse mal-entendido acerca de que dinheiro é igual a riqueza pode ser comprovado com a criação de um dinheiro diferente que recebeu o nome de Moeda Social. Moeda Social porque a comunidade se envolve em todos os passos desde a criação desse novo dinheiro, criam juntos formas para colocar esse novo dinheiro em circulação e criam alternativas para tirar esse dinheiro de circulação para voltar a repetir esse ciclo o tanto de vezes necessárias para atender o desenvolvimento das trocas de uma comunidade.

Vamos ver na prática como isso funciona.

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Oficina de Criação de Moeda Social
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Material Necessário por participante:

- 2 folhas de sulfite A4
- 1 caneta
- Lápis de Cor / Giz de Cera (opcional)
- Tesoura ou Régua (opcional)

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1º Passo – Confecção das Moedas Sociais
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1. Iniciaremos a dinâmica de confecção das moedas sociais com todos participantes da oficina, solicitando que peguem uma das folhas e a dobrem ao meio. Em seguida dobrem pela segunda vez também ao meio com a folha já dobrada pela primeira vez. E por ultimo uma terceira e última vez.

2. Ao desdobrar esta folha de sulfite, teremos uma sinalização das dobras no sulfite, formando 8 retângulos no tamanho aproximado a 10cm X 6cm.

3. Solicitaremos então a todos que estiverem nesta oficina, que coloquem no centro dos dois primeiros retângulos, sinalizados pelas dobras na parte superior da folha de Sulfite já aberto, se possível em números grandes, o número 5. Nos outros quatro retângulos abaixo, pede-se que coloquem o número 2; e por fim, nos dois últimos retângulos o número 1. Totalizando o equivalente a 20 moedas sociais para cada participante.

4. O próximo passo é pedir a todos e todas da oficina, que desenhem alguma coisa nesses oito retângulos de preferência que estes desenhos se repitam nos 8 retângulos. Assim que tiverem desenhado, solicitar que coloquem um nome escolhido individualmente por cada pessoa, não podendo perguntar para a pessoa que estiver do lado, cada pessoa deverá escolher o seu nome de preferência, e colocar nos 8 retângulos, que neste momento já tem um numero e um desenho escolhido pela própria pessoa.

5. Quando todos e todas pessoas da oficina, já tiverem confeccionado suas moedas sociais, solicitar ao grupo, que separem os 8 retângulos, podendo ser utilizado uma tesoura, uma régua, a quina da uma mesa ou mesmo utilizando as mãos, rasgando sobre a sinalização das dobras feita sobre a folha de sulfite.

6. Ao final desta ação de cortar os 8 retângulos, solicitamos a todos que contem com quantas moedas sociais, cada participante esta naquele momento. Que deveria totalizar o equivalente a 20 moedas.

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2º Passo – Simulação de Produção
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1. Convidamos os participantes da oficina a pegarem a outra folha de sulfite e dividir-la em quatro partes.

2. Solicitamos então à todos participantes que escrevam o nome de um produto, um serviço ou um saber qualquer, em cada uma das quatro partes.

3. Em seguida pedimos para que definam um valor para cada produto/serviço/saber, desde que a soma dos 4 produtos totalizem o equivalente a 20 moedas sociais.

4. E então assinem seus nomes e coloquem a data em cada uma das partes.

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3º Passo – Início da Feira de Trocas Solidárias
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1. Com todos os participantes munidos de 20 moedas sociais e 4 produtos totalizando o equivalente a 20 moedas sociais começamos a simulação da nossa feira de trocas organizando uma roda com todos os participantes e convidando-os a falarem rapidamente quais são os produtos que trouxeram para esta feira de trocas e convidamos os ouvintes a levantarem a mão quando um produto lhe interessar, para que o produtor tenha uma idéia do seu mercado consumidor.

2. Logo de todos conhecerem as ofertas e demandas disponíveis no mercado local, sugerimos que os participantes poderão fazer trocas diretas entre produtos, serviços e saberes além de poderem utilizar as moedas sociais para realizarem suas trocas.

3. Iniciamos a primeira parte da feira de trocas por um tempo de cerca de 10 a 15 minutos, dependendo do número de participantes.

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4º Passo – Break
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1. Quando a coordenação da oficina perceber que as possibilidades de trocas estão se esgotando e que as conversas paralelas aumentaram pedimos que cada participante interrompa suas negociações e formem novamente uma roda.

2. Solicitamos então que os participantes contabilizem a quantidade moedas sociais e produtos em seu poder.

3. Neste momento, será natural que exista um desequilíbrio no mercado entre alguns participantes. Alguns com muitos produtos, outros com muita moeda social. E uma menor parte com o mesmo valor de produtos e moeda social.

4. Então convidados os participantes a refletirem os resultados desse desequilíbrio, como por exemplo a possibilidade de algumas pessoas do grupo com muitos produtos e sem moedas e outros participantes com muitas moedas, e outras pessoas querendo fazer suas trocas mas sem possibilidades por conta de que alguns participantes apenas concentraram-se a maior parte do tempo em vender, resultando em acúmulo de moeda social e dificultando o desenvolvimento das trocas dos outros participantes.

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5º Passo – Reiniciando a Feira
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1. Então convidamos os participantes com um valor de moedas = 20 que se retirem do jogo, deixando apenas no jogo os participantes que tenham qualquer valor diferente de 20.

2. E convidamos o mercado remanescente a realizarem mais 5 minutos de feira para equilibrarem suas contas. Quem tem menos de 20 moedas tem que vender os produtos que comprou em excesso  e quem tem mais de 20 moedas, obrigatoriamente tem que sair ao mercado para comprar a produção disponível no mercado para equilibrar a economia local até que todos fiquem com 20 moedas novamente.

3. Quem for conseguindo equilibrar as contas, vai se retirando do jogo até que todos fiquem com a mesma quantidade de moedas do início do jogo.

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6º Passo – Encerrando a Feira
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1. Então uma pessoa do grupo vai passando em um por um por um dos participantes conferindo que todos tenham ficado com 20 moedas sociais cada,

2. Pedimos então que cada participante anuncie rapidamente de quem são as moedas sociais que estão em seu poder e quais foram os produtos e serviços que adquiriram. Para que cada pessoa tenha uma idéia de como sua moeda circulou. Eu compro de alguem, esse alguem utiliza essa moeda que eu paguei como troco e esse troco muitas vezes acaba sendo utilizado outra troca, mostrando que quanto mais a moeda circula, mais bens e serviços ela permite distribuir. Cabendo aqui explicar que crescemos acreditando que dinheiro é igual a riqueza e que riqueza é igual a dinheiro, sendo que neste momento eles acabaram de praticar a experiência que mostra que dinheiro é simplesmente um acordo local que permite utilizar algo como unidade de contas e meio de pagamento. E que a verdadeira riqueza daquele grupo e de nossas comunidades são os talentos de cada um em forma de produtos, serviços e saberes; Finalizando assim a oficina.

3. Logo em seguida é conveniente abrir um espaço para que um a um comente rapidamente sua experiência e o que aprendeu com a oficina.

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7º Passo – E se? (opcional)
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E se a moeda criada tivesse juros? O que aconteceria se em lugar dos alunos criarem o dinheiro, a professora ou o coordenador da oficina inicia-se a oficina emprestado dinheiro com juros igual os bancos fazem com nossa comunidade? Será que essa mesma experiência daria certo?

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