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Porque precisamos de moedas complementares?

Mais uma vez recebi uma boa dica do amigo Miguel Yasuyuki Hirota, dessa vez a indicação foi de um power point da apresentação que a Margrit Kennedy fez no evento “Regionalização Monetária-Circulante Local como catalizador do desenvolvimento local” em Weimar – Alemanha com o título “Porque precisamos de moedas complementares?” basicamente um resumo do seu livro “Interest and Inflation free Money”.

Com base em três idéias errôneas acerca do dinheiro que é comum entre as pessoas, ela chegou a três resultados que são gerados por conta destas idéias errôneas e apresenta três saídas possíveis em termos de inovações monetárias para superar esses problemas.

Ela começa direto ao ponto: “O que é o dinheiro?”

E anuncia duas notícias: Uma boa e uma má. A boa é que o dinheiro é uma das invenções humanas mais engenhosas e a má é que a circulação do dinheiro está condicionada ao pagamento de juros que conduz aos juros compostos que conduz a um crescimento exponencial que por sua vez é insustentável. E comenta que para entender como o dinheiro funciona é útil conhecer as três idéias errôneas que quase todos acreditam:

  1. A Falsa idéia de crescimento – Dinheiro com juros e juros composto podem crescer sempre
  2. A Falsa idéia de transparência – Juros só devem existir quando tomamos dinheiro emprestado
  3. A Falsa idéia de igualdade- Onde todos são tratados com igualdade pelo sistema

E a partir dessas falsas idéias descobriu três resultados:

  1. Inflação contínua – Como resultado de um defeito do nosso sistema monetário entre 1950 e 2001 cada Marco alemão perdeu 80 % de seu valor e assim se tornou a moeda mais estável do mundo.
  2. Disparidade entre indicadores econômicos – Margrit comparou três indicadores de crescimento entre 1950 e 1995 na Alemanha e descobriu que o Ativo Monetário (apoiado por uma quantidade equivalente de dívida) aumentou 461 vezes, o PIB aumentou 141 vezes e os Salários (depois dos impostos) somente 18 vezes.
  3. Instabilidade Monetária – sistemas monetários baseados em juros, cria um elevado grau de instabilidade que estimula a especulação financeira que tirando proveito desta instabilidade, elevou o volume global de transações especulativas monetárias entre 1974 e 2000 em 97 % onde 3 % das transações são reais, ou seja, produtos e serviços incluindo o turismo. Ou seja de todos o dinheiro existente no mundo somente 3% é utilizado para produção de produtos e serviços.

E três possíveis soluções:

  1. Dinheiro sem juros e com mecanismo de incentivo a circulação como no modelo austríaco de Wörgl que foi criado baseado no livro “A Ordem Econômica Natural” de Sivio Gesell que apresenta o conceito de “oxidação monetária”, “juros invertido”.
  2. Poupança e Empréstimos sem juros, como a do banco Sueco JAK
  3. Moedas Complementares – Com objetivo Limitado como no caso de moedas setoriais como “Saber”, “Fureai Kippu” e “WIR-system” além das moedas regionais como “Roland”, “Chiemgauer”, “Kirschblüte”

Vale a pena ver toda a apresentação que traz muitos dados comparativos e informações ampliadas para todos esses pontos que somente foram mencionados aqui.

Clique aqui para acessar a apresentação em inglês no formato PDF

Publicado por André Miani no dia 12 de dezembro de 2006 :: Comentários: 0.
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