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Bancos Comunitários & Comunidade & Moedas Sociais André Miani - 22 Sep 2006
Banco Comunitário Terra em Vila Velha - ES
Encontrei essa matéria escrita por Cássia Gisele Ribeiro, publicada em 27 de Junho de 2006, no Site da ONG Aprendiz.
A matéria original pode ser encontrada clicando aqui.
Fiz contato com a ONG e em breve espero estar publicando mais informações sobre esse projeto.
Confiram a matéria na Ãntegra:
Moeda paralela é lançada no EspÃrito Santo
Cássia Gisele Ribeiro, 27 de Junho de 2006, Site O AprendizFruto de uma parceria entre o Sebrae e o Banco Terra, moradores de Vila Velha, no EspÃrito Santo, terão uma moeda especial que poderá ser usada em estabelecimentos comerciais da região. Trata-se do Terra, que vai funcionar como uma moeda comum mas que só terá valor em 29 bairros da cidade.O objetivo da iniciativa é assegurar a circulação da renda na própria comunidade, garantindo assim a sobrevivência de pequenos comércios locais e possibilitando o aumento de postos de trabalho e melhor distribuição de riquezas. O Terra começou a circular no inÃcio de junho e é aceito em 22 estabelecimentos da região. Um terra (T$ 1) equivale a um real.
Com mais de 52 mil habitantes, a região é conhecida como Grande Terra Vermelha. O local concentra altos Ãndices de vulnerabilidade social, no entanto, seus moradores são bastante envolvidos com a questão social. Um exemplo disso é o Fórum de Desenvolvimento Comunitário criado para debater, decidir e implementar intervenções comunitárias. Uma das principais ações é o Programa Gerar, do Movimento Vida Nova Vila Velha (Movive), uma das instituições idealizadoras do programa.
O coordenador do Movive, Itamarcos Coutinho, responsável pela gestão do Banco Terra, explica que a moeda social tem um apelo educativo para a população. “A idéia é tornar a moeda uma catalisadora do processo de desenvolvimento comunitário. A partir dela, a comunidade passa a se enxergar melhor, se valorizar, além de gerar trabalho e renda para seu próprio bairro”, explica.
Lojas de roupa, cabeleireiros, açougues, entre outros empreendimentos, já se cadastraram ao novo sistema e lançaram descontos para quem fizer suas compras em Terra. Uma rede de supermercados que possui loja em Terra Vermelha, também aderiu à moeda, com direito a promoções e descontos especiais de até 50% para o pagamento com as cédulas.
Cada famÃlia pode pegar empréstimos para consumo de até T$ 50, o que equivale a R$ 50,00, no Banco Terra. Para retirar o dinheiro, é preciso ser morador da região e participar de alguma instituição ligada à gestão do banco ou ser indicado por ela. A moeda também pode ser trocada por reais. As cédulas são impressas por uma empresa de São Paulo, autorizada pelo Banco Central para este fim. O dinheiro é feito em papel moeda e possui seis itens de segurança, como marcas d’água e dados variáveis.
Inaugurado em novembro do ano passado, o Banco Terra atua na concessão de empréstimos de créditos produtivos, para que a população possa montar ou ampliar o próprio negócio. Os empreendedores locais recebem também uma série de capacitações, ministradas pelo Sebrae, consultoria e divulgação. “Estamos incentivando os empreendedores a buscar um crédito orientado, através de capacitação especifica para que aprendam a gerenciar seus pequenos negócios”, explica a gerente de Acesso a Serviços Financeiros da entidade, Carla Gomide.
Comunicação & Comunidade André Miani - 25 Aug 2006
Seria a lenda Warashibe Chôja a inspiração do Kyle Macdonalds?
Blogando também o amigo Miguel Yasuyuki Hirota, do Japão que atento a “novidade” do blogueiro canadense trocador Kyle Macdonalds mandou um salve comentando que na terra do sol nascente tem um conto muito conhecido chamado “Warashibe Chôja” que significa “Milionário da Palha” que fazendo trocas chegou a conseguir uma mansão. E não duvÃdo que o Kyle Macdonalds tenha se inspirado nesse conto, já que nesse mundo tudo se recicla ![]()
A versão que o Miguel recomenda está em inglês e pode ser vista desde “Story of Straw Rich man” e enquanto não providenciamos uma tradução, pode ser conferida uma versão em português no site do jornal Nippo-Brasil.
Domo arigato gozaimasu, boku no tomodachi desu! ![]()
Muito obrigado, meu amigo ![]()
Comunidade & Poder Público André Miani - 15 Apr 2006
Glenetas - Santana do Livramento - RS
Há pouco mais de um ano atrás, conheci o Dr. Glênio Pereira Lemos, advogado e ex-prefeito de Santana do Livramento-RS. Em 1997/1999, com problemas no orçamento, ele autorizou a emissão de tÃtulos públicos nos valores de 5, 10, 20, 50 através do sindicato dos funcionarios municipais que rapidamente recebeu o apelido de Glenetas, talvez em lembrança das Brizoletas. As glenetas circularam por dois anos e era aceito até em alguns free-shops e comércios de Rivera, cidade do Uruguay que faz divisa com Santana do Livramento. Na ocasião do nosso batepapo ele ficou bastante surpreso com o progresso dos sistemas de trocas solidarias e igualmente surpreso em saber que as moedas sociais estão crescendo e sem sofrer perseguição, já que a emissão das glenetas foram proibidas por um decreto do Banco Central. Consultando o livro “Onde está o dinheiro?” eu encontrei uma citação a essa experiência de Santana do Livramento na parte que fala sobre moedas respaldadas por prefeituras, mas na ocasião do meu encontro do o Dr. Glênio, acabei nem lembrando dessa citação no livro mas depois passei no seu escritório e deixei uma cópia da parte que citava essa emissão.
O lado triste da história foi a experiência negativa gerada para os servidores públicos que chegaram a receber 100% do seu salariopor esse circulante local e para as empresas que acumularam um prejuÃzo de cerca de 2 milhões de reais que resultou em várias ações judiciais contra o sindicato dos funcionarios municipais, responsável legal pela emissão.
Comunidade & Livros André Miani - 31 Mar 2006
Livro: Banco Palmas ponto a ponto
Neste livro o Joaquim e a Sandra contam passo a passo desde a história do inÃcio da comunidade do Conjunto Palmeiras, a criação do banco palmas, o mapeamento de produção e consumo local, a polÃtica de microcrédito, o cartão Palmacard, as cooperativas de produção Palmafashion, Palmalimpe e Palmart, apresentam os meios de comercializacao como a Feira dos Produtos Locais, Loja Solidária e o Clube de Trocas do conjunto junto com a moeda social Palmares, além de apresentarem o Palmatech que é uma escola comunitária de Socioeconomia Solidária, a Incubadora Feminina, o laboratório de agricultura urbana, o Projeto Fomento que realiza o “milagre da multiplicação” e o sistema de compras coletivas da comunidade.
Comunidade & Moedas Sociais André Miani - 30 Mar 2006
Economia que se re-inventa
No último domingo, 26 de marco, saiu um artigo no caderno Cotidiano da Folha citando um “vale-droga” que está sendo colocado em circulação pelo Comando Vermelho do RJ como estratégia de fidelização. Segundo a notÃcia, na hora da compra, o usuário recebe cupons –papéis carimbados que geralmente trazem a inscrição “CV“, o nome do lugar onde a droga foi comprada, o tipo e o valor pago por ela e menciona que a o vale é, por enquanto, restrita à s pessoas que são conhecidas dos traficantes.
A matéria ainda comenta que segundo traficantes de Manguinhos, Vigário Geral e do Complexo do Turano, na zona norte do Rio, o “vale-droga” é uma maneira de fazer o dinheiro girar rápido. Muitas vezes, grande quantidade de droga fica acumulada nos morros e os prazos para pagar os “matutos” (fornecedores, normalmente intermediários paulistas que fazem a negociação entre os produtores e os traficantes cariocas) estão apertados demais e complementa dizendo que “o que muita gente não consegue ver é que isso aqui [o tráfico] é uma empresa como outra qualquer, que busca lucro, “money“, dinheiro. Não tem só monstro aqui, não. Isso é o ganha-pão de muita gente. Quem está aqui quer as mesmas coisas que as pessoas que trabalham nas grandes empresas, por isso sabemos como tratar nossos clientes”.
Fico pensando se o que é classificado como um mero “vale-drogas” não pode ser o inÃcio de um “circulante local” respaldado não somente nas drogas, mas também em tudo mais que está na comunidade onde são comercializada drogas, incluÃndo produtos sem procedencia e principalmente o potencial de produção-comércio-consumo ocioso da comunidade que pode ver nesse, por agora, “vale-droga” a oportunidade de potencializar suas próprias economias.
Seguramente muitas das pessoas que vivem nesses morros são trabalhadores e nunca roubariam ninguém, mas talvez poderiam prestar serviços em troca desses “vales” e com esses “vales” comprar os produtos e prestação de serviço disponÃveis na comunidade…. E assim a economia vai se re-inventando…
