Comunicação & Moedas Sociais André Miani - 08 Sep 2008 18:55
Moeda Social: Verdades e Mentiras
Recebi do meu primo Armando Miani Neto, um link da noticia “Comunidades usam moedas sociais para ajudar desenvolvimento econômico” escrita pela jornalista Laura Naime a seção de Economia do G1 do portal globo.com, que compartilha informações basicamente sobre a Rede Cearense de Bancos Comunitários como se representasse a realidade de todos os projetos de moedas sociais existentes no paÃs.
Embora a matéria seja bem legal existem alguns equivocos ainda que a matéria tenha ficado muito boa e a intenção tenha sido a melhor de todas.
No final da matéria da Laura é mencionada alguns temas que envolve legislação que não tive tempo de investigar e por isso não estarei comentando.
Boa Leitura.
Verdade ou Mentira?
“Com quase R$ 100 bilhões em notas e moedas em circulação, o real é a moeda oficialmente aceita em todo o Brasil. Mas em mais de 30 locais do paÃs ele perdeu espaço para moedas alternativas, emitidas por bancos sociais.”
Minha interpretação: Mentira. A moeda social não é moeda alternativa e tampouco ganhou espaço. A moeda social é complementar. Ou seja não se trata de um instrumento que compete com a moeda oficial. A moeda social é um acordo comunitário que complementa a economia formal dos participantes das redes onde são utilizadas. Como diria o biologo e filósofo Humberto Maturana as palavras não são inocentes e devemos nos preocupar com as palavras utilizadas para definir algo “novo”.
“A moeda social é uma ferramenta para o desenvolvimento econômico local. A idéia é fazer com que o recurso daquela comunidade possa circular o maior tempo possÃvel dentro dela, gerando um ciclo virtuoso”
Minha interpretação: Verdade. A moeda social além de apoiar o desenvolvimento econômico local, promove o que o pessoal do Banco Palmas chama de empoderamento da comunidade e o que a Heloisa Primavera da RedLASES chama de “Radicalização da Democracia” onde as pessoas aprendem que o poder está com elas e não nos outros.
“O que acontece é que sem a moeda social todo o dinheiro que entra sai, não fica nada na comunidade. Com real, geralmente as pessoas compram fora. Já com esse dinheiro (a moeda social) é garantido que as pessoas comprem no bairro”
Um levantamento feito pelo Instituto Banco Palmas mostra que os moradores da comunidade Palmeiras consomem mais de R$ 5 milhões ao ano. “Mas a circulação desses recursos era muito volátil. A pessoa gastava tudo em grandes redes de supermercados, em shoppings”, diz Mendonça, do MTE.
Minha interpretação: Verdade. Gosto muito da metáfora que conheci com o Felipe Bannitz, da ITCP-FGV, que define o problema monetário como um balde com furos representando nossas comunidades e os canais por onde o dinheiro foge de nossas comunidades como grandes redes de supermercado e shoppings. E onde as alternativas para tampar esses furos acaba sendo a reorganização do nosso sistema onde a produção seja sustentável, o comércio justo e o consumo ético. Por exemplo, dentro dos clubes de trocas solidárias que utilizam moeda social os prossumidores começam a exercitar e perceber que realizam diversas escolhas e logo começam a realizar mais escolhas fora do clube de trocas e com isso a moeda social ajuda a pessoa a participar mais e melhor dentro da economia seja ela solidária, informal ou formal.
“Toda moeda social emitida no Brasil é lastreada em reais e paritária com a moeda oficial.”
Resposta: Mentira. A maioria das moedas sociais emitidas no Brasil não tem lastro em dinheiro oficial, seu lastro acaba sendo a confiança do grupo de que essa moeda comunitária vale ou no máximo o lastro em produtos gerados pela própria comunidade. Exemplo são os clubes de trocas solidárias que inclusive expressam a proibição da troca de moedas sociais por moedas oficiais.

- 19 Sep 2008 - 20:34 1.tomaz ahau disse …
Do ponto de vista da permacultura a moeda é como o sangue da comunidade,passa por todas as células,tecidos,orgãos do conjunto,conhecido como corpo,…mas será que todo corpo não é constituÃdo e mantido por uma imagem mental,e será que todo um sistema económico também não pode ser mantido por uma crença,na da escassez,ou de que o tempo é dinheiro…
….por outro lado,existem outras crenças, nossa máxima na economia solidária diz, outra economia acontece…
a moeda social dentro desta economia alternativa é um instrumento da construção do outro mundo possÃvel,lema central da proposta do Fsm…
Mas tudo só vai funcionar se aplicarmos em nossas ações e atividades a tranformação de forma integral, em todas as multidimensões…
o que se aplica a economia ,uma vez que dentro do paradigma ético-sustentável…
assim moedas socias são o multisangue de uma poli-cultura económica sustentável…
complexidade na diversidade..
a verdadeira riqueza e abundãncia não está na moeda e sim nos fluxos de serviços e produtos,ENERGIA, de forma dinâmica e permanente,criativa e encantada…
esta é nossa escala humana sensorial da nova era….
e tudo tendo como base a conservação de energia e o paradigma sintrópico-holonômico em sua essência…
enquanto isso observamos o mundo capitalista tecnosfêrico ruir em frente aos nossos olhos, a bolha furada ,por incrÃvel que pareçå ,está mais uma vez sendo camuflada, quantas lentes eles ainda possuem, a última vai se romper em 2012…isto com certeza…… rrrsss
saudações a todos
apliquem e produzam o melhor de sÃ,
preparem-se.
e lembrem-se que sustentabilidade é solidariedade
que nåo é simplesmente caridade, é consciência coletiva e fraternidade ecumênica.
onde há cultura há paz ,onde há paz há cultura
in lak esh
Tomaz Ahau
Instituto 13 Luas