Recebi do meu primo Armando Miani Neto, um link da noticia “Comunidades usam moedas sociais para ajudar desenvolvimento econômico” escrita pela jornalista Laura Naime a seção de Economia do G1 do portal globo.com, que compartilha informações basicamente sobre a Rede Cearense de Bancos Comunitários como se representasse a realidade de todos os projetos de moedas sociais existentes no país.

Embora a matéria seja bem legal existem alguns equivocos ainda que a matéria tenha ficado muito boa e a intenção tenha sido a melhor de todas.

No final da matéria da Laura é mencionada alguns temas que envolve legislação que não tive tempo de investigar e por isso não estarei comentando.

Boa Leitura.

Verdade ou Mentira?

“Com quase R$ 100 bilhões em notas e moedas em circulação, o real é a moeda oficialmente aceita em todo o Brasil. Mas em mais de 30 locais do país ele perdeu espaço para moedas alternativas, emitidas por bancos sociais.”

Minha interpretação: Mentira. A moeda social não é moeda alternativa e tampouco ganhou espaço. A moeda social é complementar. Ou seja não se trata de um instrumento que compete com a moeda oficial. A moeda social é um acordo comunitário que complementa a economia formal dos participantes das redes onde são utilizadas. Como diria o biologo e filósofo Humberto Maturana as palavras não são inocentes e devemos nos preocupar com as palavras utilizadas para definir algo “novo”.

“A moeda social é uma ferramenta para o desenvolvimento econômico local. A idéia é fazer com que o recurso daquela comunidade possa circular o maior tempo possível dentro dela, gerando um ciclo virtuoso”

Minha interpretação: Verdade. A moeda social além de apoiar o desenvolvimento econômico local, promove o que o pessoal do Banco Palmas chama de empoderamento da comunidade e o que a Heloisa Primavera da RedLASES chama de “Radicalização da Democracia” onde as pessoas aprendem que o poder está com elas e não nos outros.

“O que acontece é que sem a moeda social todo o dinheiro que entra sai, não fica nada na comunidade. Com real, geralmente as pessoas compram fora. Já com esse dinheiro (a moeda social) é garantido que as pessoas comprem no bairro”

Um levantamento feito pelo Instituto Banco Palmas mostra que os moradores da comunidade Palmeiras consomem mais de R$ 5 milhões ao ano. “Mas a circulação desses recursos era muito volátil. A pessoa gastava tudo em grandes redes de supermercados, em shoppings”, diz Mendonça, do MTE.

Minha interpretação: Verdade. Gosto muito da metáfora que conheci com o Felipe Bannitz, da ITCP-FGV, que define o problema monetário como um balde com furos representando nossas comunidades e os canais por onde o dinheiro foge de nossas comunidades como grandes redes de supermercado e shoppings. E onde as alternativas para tampar esses furos acaba sendo a reorganização do nosso sistema onde a produção seja sustentável, o comércio justo e o consumo ético. Por exemplo, dentro dos clubes de trocas solidárias que utilizam moeda social os prossumidores começam a exercitar e perceber que realizam diversas escolhas e logo começam a realizar mais escolhas fora do clube de trocas e com isso a moeda social ajuda a pessoa a participar mais e melhor dentro da economia seja ela solidária, informal ou formal.

“Toda moeda social emitida no Brasil é lastreada em reais e paritária com a moeda oficial.”
Resposta: Mentira. A maioria das moedas sociais emitidas no Brasil não tem lastro em dinheiro oficial, seu lastro acaba sendo a confiança do grupo de que essa moeda comunitária vale ou no máximo o lastro em produtos gerados pela própria comunidade. Exemplo são os clubes de trocas solidárias que inclusive expressam a proibição da troca de moedas sociais por moedas oficiais.