Na última terça-feira, dia 14 de agosto, aconteceu a conferencia do livro “El Futuro del Dinero” no auditório da Fundação San Rafael na cidade de Buenos Aires.

Conferencia do livro: El Futuro del Dinero

Os palestrantes foram os economistas Héctor Giuliano e Carlos Louge, este último responsável pela tradução do original “The future of money” escrito pelo economista belga Bernard Lietaer que foi publicado pela editora Century em janeiro de 2001 além de ser o autor de um capitulo adicional que conta o caso dos clubes de trocas da Argentina.

Héctor começou sua fala oferecendo duas metáforas: o dinheiro como se fosse o sangue do corpo humano e o dinheiro como o sistema nervoso do corpo. E continuo dizendo que assim como morre a parte do corpo onde não circula o sangue, o mesmo acaba acontecendo com nossas comunidades onde o dinheiro não circula.

Na continuação lembrou aos participantes que Economia e Finanças são dois temas distintos e se concentrou no tema Finanças.

Para explicar a natureza do dinheiro recordou a Teoria da Esterilidade do dinheiro de Aristóteles em que o dinheiro, como o tempo, não produz em si qualquer riqueza, ele é estéril. E comentou que a função do dinheiro:

  • Unidade de Medida
  • Meio de Pagamento
  • Reserva de Valor

E compartilhou um questionamento com os participantes: “Será que necessitamos de um instrumento que cumpra com todas essas funções?” e a partir dai entrou no tema da possibilidade e importância da dissociação das funções do dinheiro.

A partir da introdução ao tema feita por Héctor, Carlos Louge, começou sua fala mencionando a inevitável quebra do sistema monetário internacional dizendo algo como que o sistema monetário internacional vai provar a lição que a Argentina experimentou em 2001 conhecida como Corralito. E recordou que precisamos estar preparados para esse cenário. Citando o crescimento dos sistemas de moedas complementares pelo mundo, comentou que diferente do que aconteceu na Áustria em 1930 quando os governos perseguiram as moedas locais comentou que os bancos centrais pelo mundo acompanham o desenvolvimento das moedas mas sem intervir já que perceberam que esses sistemas não competem com o dinheiro que por sua vez não representa sinônimo de riqueza, nem mesmo quando o dinheiro seguia o padrão ouro que por sua vez também não representa a riqueza, já que não podemos nos alimentar comendo ouro e terminou a primeira parte da sua exposiçao defendendo a idéia de que a verdadeira riqueza somos nós e nosso talento em formas de produtos, serviços e idéias.

Na seqüencia, apresentou algumas transparências em que relacionava sempre o problema com o sistema monetário oficial e com os sistemas monetários complementares:

  • o primeiro representava um brutal crescimento de sem-tetos em Nova York e a relação com a instabilidade financeira;
  • o segundo apresentava o problema que Bernard Lietaer chama de a “Ola do Envelhecimento” que caracteriza a problemática de como o mundo vai lidar com o produto do aumento do tempo de vida das pessoas e as atividades econômicas;
  • o depois veio a ilustração da Máquina Compactadora do tempo que é formada pela Ola do Envelhecimento (Como vamos resolver o tema do aumento da expectativa de vida?), Revoluçao da Informaçao (Como garantir o sustento de todas as pessoas do planeta frente a uma crescente reduçao de postos de trabalho?), Cambio climático e extinção da biodiversidade (Como resolver o conflito entre os interesses financeiros e a sustentabilidade do planeta a longo prazo?) e a Instabilidade Monetária (Como podemos nos preparar para uma possível crise do sistema monetário?).

Depois seguiu apresentando um gráfico que representa o desprendimento da economia financeira e a economia real. Lembrando que no começo da década de 70, o comércio de divisas funcionava principalmente para facilitar o comércio internacional de produção real e o cenário de hoje em que pelo mais de 95% do comércio de divisas se realiza com fins especulativos e menos de 5% tem relação com o comércio internacional.

E por último apresentou um gráfico do crescimento das moedas complementares pelo mundo sinalizando o crescimento principalmente nos países de primeiro mundo onde teoricamente não precisariam desses sistemas complementares por ter uma economia mais forte.

Algumas fotos:

Gonzalo Roca do Movimento Argentino para la Porducción Orgánica apresenta os oradores Os oradores Carlos Louge e Héctor Giuliano Héctor Giuliano
Carlos Louge Carlos Louge Publico do Evento
Publico do Evento Publico do Evento Publico do Evento